Aumenta consumo de notícias via redes sociais e chatbot de IA


A nova edição do Digital News Report 2026, publicado pelo Reuters Institute for the Study of Journalism da Universidade de Oxford, trouxe dados essenciais para compreendermos como o público brasileiro consome informação hoje. Nós destrinchamos esses achados para entender como sintonizar a comunicação das marcas a esse novo ecossistema e trazemos um breve resumo aqui:

Os Principais Achados da Pesquisa no Brasil

O relatório expõe um público que, embora altamente conectado (com 84% de penetração de internet no país), demonstra claros sinais de saturação e desconfiança em relação ao ecossistema tradicional de informação.

A inteligência artificial generativa passou a mediar as jornadas de informação de maneira expressiva, com o uso semanal de chatbots de IA para consumo de notícias saltando para 13%.

A confiança geral nas notícias despencou para o patamar mais baixo dos últimos 12 anos em território nacional, situando-se em apenas 36%.

A exaustão mental diante dos fluxos de informação fez com que 47% dos brasileiros admitissem evitar notícias às vezes ou frequentemente.

Apesar da evasão, o público brasileiro continua muito participativo: 51% dos usuários costumam compartilhar notícias ativamente via redes sociais, aplicativos de mensagens ou e-mail.

Os influenciadores e criadores de conteúdo ocupam um espaço central no debate público, sendo que 33% dos brasileiros consomem informações diretamente de criadores focados em notícias.

 

 

O Cenário dos Veículos Tradicionais e as Mudanças de Regulação

A transição para o ambiente puramente digital reconfigurou o modelo de negócios das grandes mídias. O bolo publicitário reflete perfeitamente esse equilíbrio de forças: a mídia digital já responde por 40,6% do investimento publicitário no Brasil, encostando nos 41,3% da TV aberta.

A televisão tradicional tem buscado se descentralizar por meio de modelos multiplataforma e de streaming gratuito apoiado por anúncios (FAST), como o recente lançamento do SBT News em dezembro de 2025 e de canais segmentados como CNN Money.

No mercado impresso, a crise estrutural provocou o fechamento de 122 veículos desde 2023, acelerando o surgimento de "desertos de notícias" no interior do país. Paralelamente, no ambiente regulatório, o Supremo Tribunal Federal (STF) definiu em junho de 2025 que as plataformas digitais podem ser responsabilizadas civilmente por conteúdos ilícitos graves de terceiros se não realizarem a remoção imediata, enquanto o Congresso formalizou em janeiro de 2026 a profissão de "profissional multimídia" para criadores de conteúdo digital.

 

Como Isso Impacta o Planejamento de PR, Influência e Marketing?

Na Atômica Lab, nós não olhamos para esses dados com pessimismo, mas sim como um mapa estratégico para navegar nas novas conversas.

1. Gestão de Reputação Focada em Ilhas de Credibilidade - Embora a desconfiança na imprensa geral seja grande (36%) , o público brasileiro preserva altos índices de confiança em marcas de mídia específicas. Canais como CNN Brasil (62% de confiança), SBT News (61%), Record News (61%) e Band News (59%) mantêm reputações sólidas.

O impacto no PR: Conseguir um espaço editorial orgânico nesses veículos continua sendo a ferramenta mais poderosa para construir e gerir a reputação de uma instituição. O foco do PR deve ser o relacionamento refinado com editores e colunistas que retêm a confiança do público.

2. Marketing de Influência e Especialização (Finfluencers e Além) - Com um terço do país consumindo notícias por meio de criadores, a influência deixou de ser apenas entretenimento e se tornou curadoria de atualidades. O fenômeno dos influenciadores financeiros (mapeados em um total de 904 perfis ativos pela Anbima, com uma audiência combinada de 310 milhões de pessoas) demonstra que nichos técnicos exigem parcerias profissionais e autênticas.

O impacto na Influência: Mapear stakeholders e engajar criadores de micro, pequeno ou médio porte — garantindo uma linguagem direta e sem jargões corporativos — é a chave para gerar awareness e conversão legítima.

3. Conteúdo em Vídeo e a Quebra do "Bloqueio de Notícias" - O público está evitando textos densos e notícias puramente negativas. A grande maioria dos veículos tradicionais está mimetizando os formatos dinâmicos das redes sociais para reter a atenção.

O impacto no Marketing de Conteúdo: Toda estratégia de social media e relações públicas precisa ser pensada de forma visual e interativa. Vídeos curtos (Reels, Shorts e TikTok) e pautas focadas em histórias humanas e causas sociais são os únicos formatos capazes de romper a barreira da evasão noticiosa do consumidor.

4. Preparação para a Era do "Answer Engine Optimization" (AEO) - O uso de chatbots de IA para se informar semanalmente chegou a 13% dos brasileiros. Movimentos de mercado como o acordo histórico da Folha de S. Paulo para licenciar seus conteúdos jornalísticos diretamente para o ChatGPT (OpenAI) mostram que a informação corporativa precisa estar acessível para os algoritmos de inteligência artificial.

O impacto no Planejamento: O treinamento de porta-vozes e a redação de conteúdos corporativos devem ser otimizados não apenas para os buscadores tradicionais (SEO), mas formatados de maneira clara e estruturada para responder a perguntas diretas feitas pelos usuários dentro dos ambientes de IA.


Fonte: Reuters Institute

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